Joana Leite, mulher, 37 anos, nascida no Porto, amante de viagens, antes de mais amante de viagens interiores de auto-descoberta. Todas as viagens que fiz dentro e fora de Portugal foram importantes para o meu auto-conhecimentoe sobretudo para os meus relacionamentos: com a minha filha, com o meu companheiro, comigo mesma. Gosto mais, hoje em dia, de viajar acompanhada, sem dúvida, mas não tenho qualquer preconceito relativamente a viajar sozinha, até porque já o fiz em duas viagens, uma a Madrid e outra a Paris (com 25 e 29 anos respectivamente).
O tipo de viagem que mais me cativa implica pelo menos uma descoberta cultural e mesmo no caso das cidades, prefiro as que têm paisagens com natureza, nem que sejam jardins cuja presença se impõe às construções humanas.
A minha viagem de sonho é aquela que ainda não fiz e que pode ser uma road trip nos EUA, no Sul de Itália ou uma ida a Bali.
Até agora a viagem de sonho que fiz foi Paris/Londres com a minha filha (só as duas e depois juntamo-nos com o meu marido) e a mais recente que foi à China (Macau e Hong Kong), na qual pude desenvolver-me profissionalmente e contactar com uma realidade tão distinta da nossa e ao mesmo tempo ter momentos de lazer puro e descoberta turística.
A viagem que nunca faria (apesar de eu nunca dizer nunca) seria talvez uma viagem para fugir a alguma coisa ou uma viagem com um grupo demasiado grande porque gosto de ter autonomia e momentos de intimidade nas viagens.
A viagem que mais me marcou até hoje foram as minhas duas primeiras idas a Paris no ano de 2004… Estive lá em dois períodos diferentes desse ano, 10 dias em cada um desses períodos. Paris sempre estivera nos meus sonhos, sentia que já conhecia a cidade antes mesmo de a visitar e consegui aproveitar cada recanto, cada jardim, cada museu, cada rua, e sobretudo entrar na vivência parisiense muito para além dos roteiros turísticos. Gostava que toda a gente pudesse ir a Paris com calma, sem correrias, podendo andar a pé, parar nos cafés, sentar na beira do rio, ir a um supermercado comprar vinho e queijos e fazer um piquenique na Pont des Arts.
Esta viagem foi marcante não por ter sido a melhor mas porque efectivamente foi a viagem que me fez perceber que eu conseguia fazer coisas sozinha, conhecer gente nova, sair da minha zona de conforto e que finalmente percebera porque evoluía sempre mais como pessoa quando estava a viajar. Senti-me em casa não estando em casa. Senti-me eu. E conheci pessoas inesquecíveis, uma delas ainda faz parte do meu restrito leque de amizades!
A maior peripécia que vivi na segunda ida no mesmo ano (2004), foi querer ir levantar dinheiro e deixar a mala na recepção do hotel e o recepcionista ficar em pânico porque desde o 11 de Setembro que era proibido deixar malas “abandonadas” fosse onde fosse. Lá fui eu a arrastar a mala até ao multibanco…
Outra foi ir sozinha visitar a Catedral de Saint Denis (a primeira construção gótica da Europa – eu, como boa estudante de História da Arte não quis perder isto) e ser insultada no metro, sem perceber porquê. Mais tarde, em conversa com um amigo, percebi que tinha andado numa das zonas mais perigosas e limítrofes da cidade (onde houve a grande operação de caputra dos alegados terror
Também tenho outras peripécias mas que implicam histórias pessoais de outras pessoas que fui conhecendo lá e que não posso contar .
Locais que vos aconselho em Paris: o Museu Picasso e toda a zona envolvente…o restaurante Le Roi du Fallafel
Todas as outras atracções turísticas são sobejamente conhecidas e não precisam que eu as mencione.
Quanto aos parisienses, sim, no geral, como toda a gente pensa, são frios e antipáticos, mas eu não vou a Paris à procura de acolhimento como quando estive na Grécia ou em países mais latinos. Gosto da correcção e do espírito contido e elegante, não me faz mossa. Não sinto que seja justo irmos à procura da mesma coisa em sítio diferentes.
Faria novamente esta viagem sem dúvida, já a fiz, tendo ido mais 6 vezes a Paris desde esse ano, com amigas, com namorado, com a minha filha. Mas sobretudo em termos simbólicos faria esta viagem as vezes necessárias, a viagem que nos retira do nosso mundinho pequeno de dependência dos outros para sairmos de casa ou de esperarmos que os outros partilhem tudo connoscoPrecisamos saber estar sozinhos e fazer um caminho para fora do egoPara podermos crescer.
Infelizmente Paris tornou-se numa cidade um pouco menos tranquila e isso nota-se no ambiente e nas pessoas, mas continua a ter, para mim, a aura emotiva que sempre teve.
Espero ter deixado dicas boas para quem vai lá pela primeira vez…e mais: aproveitem o facto de ser uma cidade sem centros comerciais tal como os conhecemos em Portugal, deambulem pelas lojas de rua, pelas chapelarias, pelos antiquários de Saint-Germain-des-Près.





Desejo sinceramente que a cidade mantenha a sua essência cultural e romântica…
Grata pela oportunidade de falar de um local que vive no meu coração.
Toujours Paris…













